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AS ILUSTRES ANIVERSARIANTES

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"Aqui o mar é uma montanha
regular, redonda e azul..."
João Cabral de Melo Neto

Foto: Paulo Carvalho

Semana passada Recife e Olinda comemoraram mais uma primavera.  As cidades irmãs, às quais pertenço com muito orgulho,  são diferentes mas vivem  se misturando ao ponto de ninguém saber direito onde uma termina para a outra poder começar.

Eu sou pernambucana da gema e pernambucano que se preze é bairrista que só ele. Temos a mania histórica de acharmo-nos importantes em tudo, desde a época das capitanias hereditárias.

Quando os holandeses, de olho na fatia mais promissora do bolo em que o Brasil foi dividido, vieram nos ocupar, trouxeram na mala alguns dos mais ilustres profissionais europeus para registrar o que viam e planejar a urbanização da cidade. Em contrapartida cobravam impostos altíssimos à população que, revoltada, resolveu expulsar a turma dos países baixos. Ficou a herança: Recife deixou de ter cara de porto para ser uma cidade com ruas, praças, prédios e pontes lindas, um luxo para a época.

Do período colonial para cá essa mania de se achar o máximo só fez crescer e acabou virando piada. Mas aquele tipo de piada que só outro pernambucano pode fazer - se pessoas de outros estados disserem um piu a gente se ofende, se vira na moléstia, diz que é inveja, que é tudo vontade de ter Fernando de Noronha na geografia, que a pátria nasceu aqui, um verdadeiro horror. Mas corre a boca miúda que os rios Beberibe e Capibaribe (principais fluméns da cidade do Recife) se juntam para formar o Oceano Atlântico e que, sendo Pernambuco o umbigo do mundo, Recife é o piercing. Coisa de cidade vanguardista, com espírito livre, cheia de personalidade, que a gente aqui tem time, não torce para esquadra do sudeste nem a pau e a avenida Caxangá é a maior em linha reta do Brasil, isso sem falar no Instituto Ricardo Brennand que ficou duas posições a frente do Louvre em Paris, num ranking que elegia os melhores museus do mundo em 2014 e por aí vai...
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Acontece que é preciso dar a mão à palmatória: Pernambuco, desde sempre, é um celeiro de coisa massa. Eu nunca conseguiria elencar tudo aqui  mas para onde você olhar tem ícone. João Cabral de Melo Neto? Daqui. Cícero Dias? Daqui. Manuel Bandeira? Daqui. Nelson Rodrigues? Daqui. Gilberto Freyre? Daqui. O Homem da Meia Noite? Daqui. A Perna Cabeluda? Daqui. E por aí vai. A lista é imensa. Isso sem contar com os que, embora não tenham nascido no estado, desenvolveram com ele laços viscerais, como Ariano Suassuna, Clarice Lispector e Chico Buarque, só para citar alguns. Com esse naipe de conterrâneos não tinha como a gente escapar de ser metido. E, sem falsa modéstia, a gente se garante na nossa galera.


Gracejos à parte, as irmãs fizeram aniversário no dia 12 de março e, apesar de serem jovens senhoras às portas dos 500 anos, têm vitalidade para dar e vender. Muitas das coisas incríveis que essas cidades têm para mostrar não foram sequer mencionadas sob pena de tornar a coluna de hoje muito extensa, além de correr o risco de angariar a antipatia dos leitores pela redatora dessas mal traçadas linhas. Me deem um desconto: trago no coração um imenso orgulho por cada pequena peça que compõe meu Pernambuco, manto de bordado grandioso e nobre  que investe o guerreiro no maracatu rural. Talvez seja essa a nossa melhor metáfora. A gente, por aqui, é de vestir o manto e a camisa. E fim de papo.
Até semana que vem.



Fontes
Foto manto do maracatu de Paulo Carvalho
Google imagem



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AS ILUSTRES ANIVERSARIANTES Reviewed by Cris Quintas on 10:05 Rating: 5

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