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PAPO CABECA - UM MERGULHO EM VERDES PROFUNDOS: HOMENAGEM AO FEMININO.

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                                                                           " Será que ela é moça?"
                                                                           "Será que ela triste? "
                                                                           "Será que é o contrário?"

O dia da mulher passou e o meu planejamento inicial era o de escolher uma personalidade feminina importante da cena artística brasileira e discorrer sobre ela, fazendo uma biografia rápida que destacasse os aspectos mais importantes da sua obra.  Mas toda vez é isso: eu me esquematizo inteira e quando dou fé outras ideias  borbulham na cabeça e escolhem direções diferentes das que foram inicialmente traçadas. Fico danada mas costumo obedecer, vencida pela teimosia do pensamento quando ele cisma em me invadir sem pedir licença.


Essa volta toda foi pra dizer que no dia das mulheres, depois de conjecturas mis sobre que mulher escolher para, através dela, homenagear todas as outras, resolvemos falar de... Chico Buarque. Não. Nós não vamos falar sobre um homem no dia da mulher. Nós vamos falar sobre Chico Buarque, o que é muitíssimo diferente.
Ah, aqueles olhos de ardósia que sabem olhar tão bem a alma feminina... Pode haver homenagem maior às mulheres do que essa? Ser olhada! Ser olhada através e apesar dos véus! E como enxerga além aquele homem. Entende a alma das santas, das putas, das esposas, das amantes. Deve haver feitiço naqueles verdes profundos feito mar que muda de cor, porque, frequentemente, nem mesmo outras mulheres, pares, portanto, das suas pares, atingem o grau de profundidade analítica do qual aquele homem é capaz.

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Francisco nasceu numa casa de intelectuais, forrada de livros. Não tinha escapatória: ele invariavelmente seria um individuo interessante se lhe fosse aplicada a máxima de que o homem é produto do meio. A questão é que ele não é simplesmente interessante, ele é quase inadjetivável. Sabia que ele chegou a cursar dois anos de arquitetura nos anos 60? Mas não me resta nenhuma dúvida de que as suas noções de estética ganharam muito mais penetração quando ele resolveu enveredar pela carreira artística. A sua música e a sua literatura são fonte de inspiração em vários níveis e a gente aqui no Papo vive batendo nesta tecla: quanto mais amplo o espectro de influências, mais rico será o trabalho.
 No extenso repertório de suas composições a mulher é contemplada com tanta amplitude e tão profundamente que eu ousaria dizer não ter havido até agora no Brasil quem nos cantasse com tamanha precisão. Nós somos tantas, tão particulares e tão plurais, mas nenhuma de nós deixou de ser presenteada com um verso que nos pareceu feito sob medida. Ele, sempre ele, dando voz e rima aos dissabores e alegrias que experimentamos, desde a dor da perda de um filho até a volta por cima de um amor mal ajambrado. Músicas feitas com lirismo, exatas para os excessos sanguíneos das coléricas, para a delicadeza servil das subjugadas, para a belicosidade indiscriminada das aguerridas, para o cansaço diuturno das batalhadoras, para as dores lancinantes das traídas, para o fogo indomável das despudoradas.... Tem poesia para todas as cores, credos, raças, opções sexuais. E ainda por cima é bonito de doer, o danado.
Sempre me chamou a atenção essa elegância que ele embute nas suas letras. As harmonias das músicas são elaboradíssimas e o jogo que ele faz com as palavras tem o poder de concretizar imagens, com uma capacidade inacreditável de sintetizar histórias elaboradas, densas e completas em uma única canção. Isso tudo sem falar no escritor que vem se consolidando  indubitavelmente como um dos melhores da atualidade.


Você já deve ter percebido que esse artigo foi escrito por uma fã inveterada mas me responda se tem como não amar um cara que é o tradutor mais competente dos sentires femininos? Eu mergulho no verde misterioso daqueles olhos desde que me entendo por gente e a cada novo mergulho novas emoções me inundam. Porquê? “Porque era ele, porque era eu”. E fim de papo.
Até semana que vem.




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PAPO CABECA - UM MERGULHO EM VERDES PROFUNDOS: HOMENAGEM AO FEMININO. Reviewed by Cris Quintas on 09:18 Rating: 5

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