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SOBRE TRANSLAÇÕES E REDENÇÕES


Esse foi um mês importante para mim em muitos, mas muitos aspectos mesmo. É possível que daqui a alguns anos eu diga: naquele maio de 2015 tudo se iluminou. Sabe porquê? Porque, em alguns instantes, muita coisa esteve perto de se apagar. A gente entende melhor as luzes no escuro.

Houve momentos nas últimas semanas em que eu achei que maio não ia terminar nunca ou, se terminasse, acabaria também me levando com ele. Nessas horas eu me cercava de música para apreciar melhor os meus recuos e poder, assim, fazer reflexões que minha covardia vivem adiando. Para mim canções são lufadas de vento. Elas nos fazem companhia honesta, lavam as dores, perfumam nossos cabelos, enfeitam a gente de flor para novos começos.

Escolhi me despedir desse período fazendo a tradução livre e proseada de uma música linda de Bob Dylan, cuja versão com Madeleine Peyroux me arrebatou há quase dez anos. É uma letra que fala de um jeito extremamente doce sobre o adeus que, às vezes, e apesar dos pesares, precisa ser dito e vivido para que a vida siga adiante. Espero que gostem.



 “Eu vi o amor passando pela minha porta muitas vezes mas ele nunca havia chegado assim, tão perto, e desse modo tão absoluto. Por anos eu atirei no escuro, tentando acertar no que eu ainda não era capaz de ver direito, talvez porque não soubesse reconhecer as coisas que eu mesma buscava. Mas, quando o que é certo se apresenta, uma centelha de luz acende e mesmo pessoas desatentas como eu conseguem ver que a vida está se mostrando com toda a sua força nos meus encontros com você.

Eu via dragões em forma nuvem no céu, prenúncios desses amores vazios, que me acertavam com golpes baixos. Chegam vãos, se vão vãos, nem solapam nem acrescem, indiferentes às necessidades de fusões verdadeiras. Mas dessa vez foi diferente: as coisas pareciam estar no lugar certo, bem no alvo, a conjunção perfeita dos astros e a imensa vontade de correr atrás do tempo perdido. Fui ajudada com palavras de coragem e ânimo. Numa maratona, pessoas que não lhe deixam desistir são determinantes. Elas dizem assim: você não precisa chegar em primeiro lugar mas vai ter que terminar o percurso. E nos empurram com amor.

Quando nos encontramos eu vejo trevos púrpura, aquelas flores lindas chamadas laços da rainha Anne que se encontram na beira da estrada por toda a América do Norte, tão fáceis, tão simples, tão puras. Sempre há bolas de soprar colorindo o quarto. Os cabelos já não lhe podem cobrir o rosto mas você está muito mais doce do que quando eles balançavam ao vento. Há um brilho intenso de sabedoria e aceitação. Na sua presença eu me perco nos meus próprios pensamentos enquanto você me mima com um flagrante amor à vida e aos que lhe cercam.

Lá fora a vida segue. Colinas florescendo loucamente, grilos que cantam e rimam com as esperanças que as chuvas de maio nos trouxeram, um rio azul corre calmo e preguiçoso e tudo se reflete na alegria com que você carrega suas dores. As horas correm céleres sem que eu me dê conta e nunca terminamos de falar o que precisamos dizer. Talvez o tempo saiba que, mesmo que ele corra, há coisas que só conseguem ser ditas quando as palavras se calam. Eu sei, nós sabemos, e isso basta. Mas ainda assim eu queria poder te ouvir e dizer todas as besteiras que enchem de minhoca minha cabeça e de risadas os nossos encontros.

Nem sempre as coisas terminam bem. Muitos relacionamentos são tristes e violentos, como o de Verlaine e Rimbaud, por exemplo. Mas não há como comparar aquelas cenas doentias com amores nobres como o nosso e vai ser difícil não te ter mais por perto a todo instante.


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Vou ficar me perguntando como será a vida, você seguindo e eu ficando para trás. Se te conheço bem, você vai reclamar da minha tristeza e me obrigar a ter muitas conversas sérias comigo mesma. Lembrarei das suas palavras, ditas sorrindo: sofrer tem lá suas vantagens, querida.

Então vou te procurar na velha Honolulu, em São Francisco, em Ashtabula, em cafés pela cidade, em textos que eu sei que você gostaria de ler. Por motivos variados as pessoas se separam, faz parte do jogo e eu aceito as regras, só que isso não vai me impedir de te levar comigo no peito vida a fora.

Tenho minhas estratégias para aplacar saudades – te verei no céu, nas gramas altas e naqueles a quem amo. Mas preciso confessar: vou sentir sua falta quando você se for.

Até semana que vem.





Fontes
google imagem


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SOBRE TRANSLAÇÕES E REDENÇÕES Reviewed by Cris Quintas on 07:00 Rating: 5

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