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SUCUMBÊNCIAS REBELDES DE QUEM SUCUMBE COM REBELDIA

ou pleonasmos paridos nos deliciosos exageros de maio



O meu maior desafio nessa coluna é encontrar uma coisa bacana para falar semanalmente, porque eu quase nunca consigo pensar em coisas interessantes para dizer a cada míseros sete dias. Cair na armadilha fácil de aproveitar a sazonalidade dos eventos cotidianos é quase irresistível. Viver, meus caros, é uma sequencia infinita de mediocridades pontuadas aqui e acolá por iluminações ou trevas, alcunhadas, respectivamente, por esta que vos tecla, de felicidade e tristeza. Se bem que há felicidades bem escuras e tristezas iluminadíssimas. Lá venho eu com essa dialética viciada de quem detesta pensar mas pensa.


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A gente vai vivendo sem se dar conta de que a vida é esse negócio que está acontecendo agora, agora de novo, agora outra vez, e passando, depressa, ligeiro feito um risco, um trisco, um copo que se quebra no chão, sem remendo, sem replay. E fica esperando grandiloquências o tempo todo, fogos de artifício, trilhas sonoras perfeitas. Eita bando de gente romântica incorrigível! Eu inclusive. Para que digo isso? Para explicar a mim mesma que essa lupa que pretende enxergar amor e felicidade em tudo, essas exposições exageradas das nossas figuras na medina das redes sociais e esse pudor em mostrar a vida como ela é são mantos bem oportunos para mascarar verdades mais profundas.

Eu e meus longos preâmbulos... tudo para tentar fugir de falar da maternidade, já que domingo foi dia das mães. Mas eu sou uma fraca que sucumbe aos apelos imperialistas das datas comerciais e, tchlept, tchlept, pode açoitar essa cronista diletante que até tem o coração mole para demonstrações públicas de amor mas sabe que amor mesmo, desses de novela, acontece pra valer é no âmbito privado.

Domingo eu vi a time line do facebook repleta de demonstrações de amor e gratidão. Eu, que ando obscura e descrente do ser humano moderno, me fiz a inevitável pergunta: e amanhã? Estarão esses filhos carinhosos dando sequencia a esses desmazelos de amor? Ligarão para suas genitoras para lhes perguntar como foi o dia? Convidá-las para um café? Comprarão no semáforo jabuticabas para degustarem juntos assistindo a um filme antigo?

A maternidade é uma roda viva. Falo com propriedade porque sou mãe e filha e vivo me alternando nesses papéis. Quem quiser que caia na falácia de que eles são só glamour. E o golfo no vestido de seda caríssimo que você comprou, parcelou em 6 vezes no cartão e que o seu bebê carimbou de azedo bem na hora em que estava saindo, linda e fluida, para aquele jantar pelo qual você esperou semanas? E a cobrança da sua mãe porque faz três dias que você não liga pra saber da saúde dela que esteve à beira da morte por causa de um resfriado besta, por pouco não precisava chamar o home care e teve que tomar mingau de cachorro para expectorar os catarros crescentes do drama? Mães também sabem ser chantagistas, queridos. Isso não é prerrogativa apenas das crianças, pode acreditar.

Fico aqui pensando que o amor se mostra inteiro quando observo meus filhos dormindo em paz, numa leitura compartilhada que toca o sentimento, num episódio da nossa série preferida assistido de mãos dadas, num abraço inocente sem intenções sexuais, um abraço malicioso por trás quando o pau duro do desejo lhe convida para a sacanagem. Sem pirotecnia nem nada. Sem posts imediatos alardeadeiros da felicidade a granel.


Eita, maio velho de guerra. Parece mesmo que, por mais que eu queira nadar contra a maré com essa minha mania vergonhosa de querer ser rebelde, você me afronta com arroubos de amor. Um amor consciente e, talvez por isso mesmo, mais legítimo. Amar só as coisas boas é um melzinho espargido na chupeta acalentadora das superficialidades. Quero ver é amar nas profundezas das vilanias que todo mundo tenta maquiar mas carrega, inexorável. Isso, meu caro, é super poder que só as mães têm.

Até semana que vem.



Fontes:
Imagens google 



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SUCUMBÊNCIAS REBELDES DE QUEM SUCUMBE COM REBELDIA Reviewed by Cris Quintas on 09:44 Rating: 5

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