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TARJAS PRETAS COLORIDAS


O tempo não volta...Temos maio pela metade! Que tal des-maiar com a coluna desta semana?
Essa Patrícia...tá que tá! Imperdível!


Aqueles sentimentos todos já se esmaiavam nela. Tinha a maior dificuldade de viver o presente. Era uma inquietação danada. Agoniava-se pelo passado que não volta e pelo futuro que ainda nem chegou. Resultado: deixava de aproveitar o que tinha.

- Me devolve nosso abril, baby.
- Amor, você sabe que o tempo não volta. O que temos agora é esse maio pela metade, que lhe dou inteiramente, mas abril não temos mais.
- Eu queria era viver um abril eterno! Foram dias de tanta alegria para nós... fomos melhores do que nunca em abril. Eu sei que você também acha. Me dê nosso abril de volta. Se não me der outro abril, des-maio.
- Desmaie. Lhe seguro.
- Não se faça de idiota. Eu des-maio. Desfaço nosso maio. Desfaço.
- Mas amor, se você des-maiar a gente morre.
- Que morramos! Estou cheia das concessões que você não faz. Cheia. Ou você me devolve nosso abril ou um des-maio vai ser inevitável.

Como era temperamental, a moça. Ele já tinha lhe cantado essa pedra e ela, que queria ser mais low profile do que de fato era, não quis admitir, a princípio, as fraquezas que todo amor que se preze traz na bagagem. Depois viu nas reações viscerais que ele costumava ter uma espécie de passe livre para que seus próprios monstros se soltassem. Viram juntos monstros terríveis. Bem que ele lhe dizia, sempre coerente: querida, as coisas, todas elas, precisam do seu oposto. Aprenda a reconhecer as porções de bem no mal, de grande nos pequenos, de cheio nos vazios e a nossa vida vai ser mais fácil. Porra nenhuma! Era a resposta clássica. Adorava um palavrão, essa menina.

O fato é que abril não voltou mesmo e maio já ia que ia no seu curso para virar outro mês. Ela esperneou, quis de verdade ir embora, não fazia sentido seguir em frente se abril tinha encerrado suas atividades. Ele, sempre mais prudente, acalmou-a com promessas de melhor porvir. - Maio des-maiou por causa da proximidade com esse abril de festas e borboletas, minha flor. Mas a vida é assim mesmo, já te ensinei tantas vezes... lembra de Drummond? “...sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será...”

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Ela terminou se dando conta de que um des-maio não era opção. Nenhum desenlace era mais possível. Deu piti, chorou, gritou, reclamou, se encolheu mas ficou com ele, apesar dos pesares pesadíssimos desse maio de privações e imprensados. Tinham que caber nas frestas que as liberdades de abril deixaram como migalhas na recordação. Já não estavam apenas misturados. Eram um só.

Apaziguados entenderam seu destino. Grilhões pesam menos se carregados em dupla. Ele fez uma proposta: compre fitas coloridas. Vamos enfeitar nossas algemas de arco-íris. Te dou pílulas de abril quando seus des-maios ameaçarem nosso sossego.

Até semana que vem!



Fontes:
Imagens google




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TARJAS PRETAS COLORIDAS Reviewed by Cris Quintas on 08:45 Rating: 5

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