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O ENCONTRO DA DESPEDIDA



                                                                                          “...Chegar e partir
                                                              São só dois lados da mesma viagem”
                                                                                    MILTON NASCIMENTO

Eis que chegamos à última semana da nossa viagem por Minas. A gente sabia que não ia ser suficiente, né?  Mas as limitações não devem nos definir. Façamos o que ainda for possível com o tempo que nos resta.  Precisamos fazer as malar e voltar à realidade, eu sei, mas que tal passear pelas cidades históricas já com as mochilas prontas, indo embora de Minas em grande estilo?

Obviamente não será um passeio clássico. Será um tour muito particular, como foi todo restante da nossa viagem. Porque a gente meio que sabe o que vai encontrar por lá mas sente um barato imenso quando compreende que o que a gente verá é muito diferente do que foi imaginado e que, possivelmente, nossas idealizações apenas iluminaram os dourados extasiantes da realidade.



Eu desejo encontrar histórias em Diamantina, Tiradentes, Ouro Preto, Congonhas, Mariana e São João del-Rei, além de poder escolher ao meu bel-prazer outras pequenas preciosidades menos conhecidas. Quero pedra sabão, mestres do barroco, esculturas, igrejas bordadas, janelas coloniais, brisa fria, arquitetura, chão de quebra cabeça, doces em calda, bolos variados, pão de queijo, café coado na hora.  

Quero varandas, senhoras com xale nos ombros distribuindo sorriso aos passantes, guias turísticos, bandas de música, corais, pessoas caminhando num ritmo muito particular, amigos desconhecidos dispostos a abrir suas portas e dar um copo d’água gelada de bica a um viajante cansado. Toalhas branquinhas com renda enfeitando as barras, artesanato, historiadores amadores, jovens que não tomam banho no frio, dreadlocks, velas acesas, meia luz, vinho, ponche, delicadezas, olhos perdidos nas colinas e vales, barulho de riacho, cachorros magros e tristes esperando restos de amor.

Capaz de encontrar também fluxo de vida contando lembranças de morte, cheiro de mato molhado, chuva fina que passa depressa, arco-íris dando ares de graça a céus imprecisos, mães agasalhando as crias, namorados arrulhando alegrias passageiras. E você? Encontrará o que? Será que nos encontraremos? Pare um pouco. Sente para tomar um café comigo. Ainda temos tempo. Ouve. Está tocando aquela música... “Coisa que gosto é poder partir sem ter planos. Melhor ainda é poder voltar quando quero. Todos os dias é um vai e vem, a vida se repete...”

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Aqui e agora, nessa estação de trem pequena que eu idealizei para a nossa despedida, sopra um vento frio, que encolhe a gente. Meu coração também se apequenou para caber no nó que se formou no peito. Vê! Um menino vendendo bolo de goma para os viajantes... Devia ser proibido dizer adeus. Mas não é, e os nós no peito se avolumam por aí em quem precisa regressar para suas origens, mas segue com um desejo de ficar, enraizado no chão do sentimento.

Aí o juízo da gente, sabido que só a gota serena, resolve a questão de um jeito simples: guarda as lembranças como um tesouro valioso e cheio de referências de amor. No fundo, tudo se resume a isso: a gente sabe que as felicidades não são. Estão.  Uma questão de tempo verbal. Uma questão de tempo. Sempre. Mas o que nos faz seguir tendo coragem de estar com elas, embora desejando a utopia de perpetuá-las, é justamente poder retornar ao que se viveu. É para isso também que se prestam os sonhos. E sonhos não envelhecem, lembram?

Então é isso. Viajar é como viver: a gente já chega sabendo que vai embora. Chegou a hora de dizer adeus embarcar de volta à realidade. É uma despedida custosa para mim. Ir embora, principalmente das idealizações, dói um bocado. É por isso que eu gosto da palavra saudade. Ela tem uma tristeza cheia de doçura mas vive fazendo promessas de revisitar o que um dia causou emoção. Até outros dias, minha Minas.







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O ENCONTRO DA DESPEDIDA Reviewed by Cris Quintas on 07:00 Rating: 5

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