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OS SONS DAS MINAS


Eis então que, das muitas maneiras de viajar para um lugar, chegou o momento de percorrermos as Gerais pelos caminhos da música.

Viajo há décadas para Minas pelos ouvidos. É minha principal forma de ir. Nunca ter posto fisicamente os pés naquelas pedras irregulares me faculta sonhar. Pego o trem azul, olho pela janela lateral do quarto de dormir e vou. Você não quer acreditar? Mas isso é tão normal...


São tantas lindas canções, pessoas, histórias, peixes vivos, mil tons...
Não espere de mim racionalidades. Tampouco análises musicais precisas. Não sou crítica. Sou uma consumidora consumida em trocadilhos infames, caindo de amores por trilhas, terra azul, vento solar, luzes amarelas. Não chore não, é só poesia. Minha Minas é de sentimentos crus. De canções à flor da pele, de estrelas do mar, um girassol da cor do seu cabelo. Você ainda quer dançar comigo?

Aconteceu assim: umas crianças lindas se reuniram em beagá na década de 60, criaram um clube eterno e explicaram seu lugar no mundo do alto de uma esquina que nem se pretendia tão grandiosa. É sempre assim que acontece com os gênios. Não se dão conta a imensidão do que estão parindo. Eram meninos, somente. Assistiam Truffaut. Deem-lhes o desconto da juventude.  

Mas cresceram os meninos. E arrastaram outros tantos atrás de si. Fizeram história. Morreram, renasceram, perpetuaram-se. Gritaram para Lennon e MacCartney que o lixo ocidental era mais nobre do que os europeus imaginavam. Havia ouro aqui nas nossas Minas. Nada de medo. Nem timidez. Todo dia é dia de viver. Sou da América do Sul. Sei, vocês não vão saber. Mas eu sou o mundo, sou Minas Gerais, gritos rasgados nas gargantas jovens e corajosas.

Como têm vida pra contar, essas histórias. Há anjos negros que riem tropeçando, barrocos, calmos, tímidos, irreais. Há irmãos de sangue. Há irmãos que se escolheram. Há músicos. Há maestros. Há álcool. Muito choro. Gargalhadas sem fim. Amores impossíveis entre vegetais e minerais. Pimenta e azeviche. Tristezas, parcerias, reconhecimento, vaidade, fogueiras. Há a sublimidade de luzes e trevas coabitando. Mas há sobretudo um sentimento indizível que vem com a música que eles fizeram. Uma música cuja textura é saboreada pelo cheiro das visões. Assim. Equatorial. Poli sensorial. Repleta. Completa.


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Foram travessias tantas. Tantas estradas. Viagens de ventania. Nem me lembro se olharam pra trás ao primeiro passo, aço, aço, aço... Porquê? Se chamavam homens. Também se chamavam sonhos. Sonhos envelhecem? Fiquem calmos, calmos, calmos... envelhecem não, os sonhos. Contaram com o passo, contaram consigo. E bastou. A chama não tinha pavio. Calmaria em meio a tantos gases lacrimogênios. Esquina, mais de um milhão, quero ver então a gente, gente, gente, gente, gente, gente... e lá se vai.

Eu bem que queria ter feito um texto com razão. Mas como falar de uma coisa sem adivinhar onde ela anda? Estará dentro do peito? Ou caminha pelo ar? Não me exijam exatidões. O máximo que posso lhes dar é a sugestão de um título prazeroso e uma playlist incompleta, cheia de dúvidas, mãos atadas pela confissão da impossibilidade de fazer escolhas.

Que tal lerem Márcio Borges, que fazia suas letras com a honestidade suprema de não se importar com eventuais incompreensões e tem um livro primoroso falando sobre os meninos que eles foram e seguem sendo? Que tal ouvirem uma seleção absurda do que não se pode selecionar feita num arrobo? Viajem comigo. Viajem com eles. Toquem. Aspirem. Saboreiem. Ouçam. Vejam... Lá se vão, reticentes, os meninos e seus sonhos sempiternos fazendo escola... eles não terminam nunca... Minas não termina nunca...Minas são reticências... e reticências são fins adiados até o infinito.

Segue uma playlist completinha para você!

1- Cais 
2- A cruzada 
3-Um girassol da cor do seu cabelo
4-O trem azul
5- Para Lennon e Mc Cartney
6- Paisagem na janela
7- Beijo partido 
8-Manuel el audaz 
9-Nascente
10-Clube da esquina Nº2







Fontes:
Youtube



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OS SONS DAS MINAS Reviewed by Cris Quintas on 07:00 Rating: 5

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