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ANA E O MAR


Você pode não acreditar. Está no seu direito inalienável de fazer questionamentos sobre qualquer afirmação leviana, mas ela escreve esta crônica à beira mar de uma praia deserta. São quase três da tarde, as ondas quebram com força e fazem barulho sem fim.


Em agosto os mares abertos são impossíveis. A violência do vento atropela qualquer ilusão de calmaria. Há que ser louco para mergulhar. Ou estar tomado por impulsos irresistíveis de vida e morte. Ana não sente nem uma coisa nem outra, mas lhe agrada assistir tranquila o ir e vir das coisas.
Não se exibe, o mar. Nem se dá conta de que Ana está atocalhando sua grandeza. O mar é. Assim, sem complemento. O verbo resumindo o que há para se compreender. É o quê? É, simplesmente.

Não sabe se essas inundações de onipresença ocorrem só nela. O fato é que, sempre que se vê diante de uma imensidão, faz trocas. Nas relações respeitosas os limites costumam ser muito claros. Coisas que são, são assim. É aceitar o acordo tácito e aproveitar o que cada um tem a oferecer. Ana dando contemplação e entrega às imensidões. Elas lhe devolvendo a gentileza com demonstrações claras das liberdades utópicas que gozam. Invejam-se.

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A intimidade é mesmo intrigante. Prescinde de fala mas assegura a comunicação. É intimidade o que Ana sente diante do mar. Calados, ambos, conversam longamente. Ana, grão de areia, parte do todo, integrando-se a ele. O mar, compreendendo que sem a parte não é todo, busca Ana para ser inteiro. Precisam-se.

Faz um cheiro de maresia que toma tudo. Como podem coisas intangíveis invadirem todos os espaços? Ana anda e pensa. Deixa na areia os rastros das suas divagações inócuas. Vagas apagam os rastros das suas breves divagações. As palavras, também elas, são assim. Não se acanham. Dizem. Mesmo que não haja testemunhas. Ana, rasa diante de um mar profundo, ri da discrepância e dos trocadilhos vulgares aos quais já nem tenta resistir. Há dias onde as palavras precisam dar passagem a outras forças.
Ana, toda metáforas, se rende a tantas hipérboles.


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ANA E O MAR Reviewed by Cris Quintas on 07:00 Rating: 5

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